Grupos e instituições culturais se reinventam em tempos adversos

Algumas palavras que estamos nos acostumando a ouvir frequentemente nesse último mês é se reinventar, inovar, transformar, criar, repensar, entre tantas outras que sugerem fazer diferente em uma situação totalmente nova em nosso cotidiano.

Fomos surpreendidos por fatos que até então desconhecíamos, neste caso uma pandemia, e vimos tudo o que para nós fazia parte de nossa rotina se transformar rapidamente.

Assim como setores importantes da nossa economia precisaram definir novas estratégias para minimizar os impactos da crise, para as atividades culturais não foi diferente, pois o que se mantém pelo acesso do público agora precisam se reinventar para continuar oferecendo, na melhor condição possível, seu acervo e produção cultural em um período em que a arte se faz tão necessária.

No Brasil, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2018 aproximadamente 5 milhões de pessoas trabalham no setor cultural. E de acordo com o Atlas Econômico da Cultura Brasileira, do Ministério da Cultura em 2017, o setor foi responsável por 2, 64% do PIB nacional e movimenta 239 mil empresas e instituições e gera R$10, 5 bi em impostos.

Graças a tecnologia muitas instituições têm conseguido manter a comunicação com seu público e diminuindo as fronteiras para quem não tem acesso.

E com muita criatividade e aproveitando o alcance das redes sociais, que tem cumprido um papel importante na divulgação e promoção de shows, palestras, debates, cursos para os mais diversos perfis de público, os produtores culturais e instituições.

Diversas ações foram criadas nesse momento para dar visibilidade aos artistas na tentativa de que a cultura possa se manter ativa e cumprir um importante papel nesse momento: nos entreter em um período que ficamos fragilizados diante de tantas incertezas.

Músicos se reuniram no Festival FicoemCasaBR pelo Facebook e semanalmente de terça a sexta-feira reúne grandes nomes da música em diversos estilos. Nas últimas duas semanas foram 160 apresentações e mais de 80 horas de programação.

Museus como o MASP, Museu de Arte Moderna, Museu Afro Brasil, Casa Guilherme de Almeida, Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, Museu Nacional de Belas Artes, Museu de Arte Moderna, Museu Imperial, no Rio, entre outros disponibilizam as obras de seu acervo na internet e ainda contam com uma visita virtual para conhecer suas instalações.

Entidades internacionais também estão colaborando nesse tempo de isolamento social e incentivando a visita virtual, entre elas o Museu do Vaticano, o Museu Britânico de Londres, o Louvre em Paris e o Museu Arqueológico de Atenas.

As empresas incentivadoras da atividade cultural também inovaram e estão levando discussões importantes para o setor na tentativa de ampliarmos o debate de como iremos repensar nossas atividades e criar formas de diálogo após esse período. Como por exemplo, o Instituto CPFL exibe no Youtube a programação do Café Filosófico com discussões relativas ao nosso tempo, como solidariedade, futuro, família, entre outros temas.

Assim como todos os níveis da nossa sociedade sofrerão algum tipo de impacto após esse período de suspensão de atividades, o setor cultural também irá se reinventar e inovar em soluções que possam erguer e motivar novamente toda a sua cadeia produtiva.