A atuação dos recicladores e cooperativas nas práticas ambientais e sociais

Nesta semana do Meio Ambiente temos muitas questões para serem debatidas que vão muito além de temas tão presentes como preservação de áreas verdes, fontes renováveis de energia ou das mudanças climáticas. Esses temas são altamente relevantes, mas nosso contexto atual nos leva a uma reflexão que envolve os profissionais que trabalham na coleta e reciclagem de materiais e vivem nas camadas mais vulneráveis da nossa sociedade. E que em meio aos debates na semana do ambiente, merecem também um espaço para que sua atuação seja reconhecida e alcance visibilidade na cadeia produtiva.

Esses profissionais fazem parte de um setor que abrange muito mais do que seu trabalho na coleta e nas cooperativas existentes no país e sua atividade está muito além de um papel ambiental, hoje o reciclador é um agente educador em sua comunidade e na cidade em que vive. E hoje é mais do que necessário, como seres coletivos, termos um olhar atento para aqueles que estão na ponta desse segmento e que gera grandes impactos econômicos, sociais e culturais.

Em termos de atuação nacional, somente 1.055 cidades brasileiras realizam de alguma forma a coleta seletiva, o que representa apenas 18% do total de municípios do país. As cooperativas respondem por 90% de todos os resíduos coletados, o que resulta em 78 milhões de toneladas por ano.

Isso evidencia que grande parte dos municípios brasileiros ainda não perceberam o potencial econômico que as cooperativas possuem e o eficiente trabalho que os catadores realizam diariamente. Ainda taxados pela invisibilidade e rotulados de diversas formas, os recicladores permanecem invisíveis, a margem de políticas públicas adequadas as suas comunidades.

A atuação dos recicladores e cooperativas continuam sendo fundamentais, pois além de sua prática auxiliar na atividade econômica de milhares de famílias, eles têm exercido ativamente na transformação, recuperação e preservação do meio ambiente e dos recursos naturais, e na redução de exploração de matérias primas agindo como importantes e potenciais parceiros das empresas que adquirem o material reciclado.


Período de incerteza revela fragilidades das cooperativas

Com a orientação para o isolamento social devido a pandemia, as cooperativas precisaram ser fechadas, mas os recicladores de materiais continuam expostos aos riscos de contágio pela COVID-19, sinalizando que esse segmento apesar de possuir um papel importante, precisa estar na pauta das decisões do poder público.

Para termos alguns exemplos da vulnerabilidade desses profissionais, estima-se que hoje os recicladores vivem com menos de R$ 5,00/dia no Brasil.


Mudança de mentalidade

Além da importância social e ambiental que esses agentes exercem, a sociedade também tem um papel importante na conscientização de práticas que precisam ser inseridas na nossa rotina para potencialização e valorização desse trabalho, como a separação e higienização do lixo descartado.

Isso nos torna parte do processo e colabora na valorização desses profissionais, e possibilita a visibilidade das cooperativas e recicladores em nosso modo de vida.

A Rede Educare, através de seus projetos, tem procurado constantemente fomentar ações que possam levar educação, cultura e boas práticas para que o trabalho desenvolvido atualmente pelas cooperativas e recicladores façam parte do cronograma de investimento das empresas que atuam na cadeia produtiva.

Entidades como Recifavela, ProRecife, Reciclázaro, Associação de Moradores da Nova República provam que ações educacionais adequadas, conscientização social e discussões sobre novas diretrizes de políticas públicas para as cooperativas são fundamentais para o desenvolvimento das cidades e de seus ecossistemas.