Como a promoção de práticas educacionais colaboram para a erradicação do trabalho infantil

Segundo o relatório sobre a Promoção de aprendizagem e erradicação do trabalho infantil, publicado em 2017 pelo Instituto Ethos, cerca de 152 milhões de crianças no mundo são vítimas do trabalho infantil, sendo 88 milhões de meninos e 64 milhões de meninas. Em 2016, quase metade dessas crianças realizavam formas perigosas de trabalho, sendo que 19 milhões delas tinham menos de 12 anos de idade. E a maior parte da mão de obra infantil está concentrada na agricultura (71%), no setor de serviços (17%) e no setor industrial (12%).

De acordo com as metas estabelecidas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), firmados pela chamada Agenda 2030 da ONU, propõe que até 2025 o trabalho infantil seja eliminado, contribuindo como importante indicador para o desenvolvimento sustentável de uma sociedade.

E hoje, dia 12 de junho a Organização Internacional do Trabalho (OIT), estabeleceu desde 2002 como o Dia Mundial contra o Trabalho Infantil, simbolizado pelo catavento colorido, que representa ações que podem prevenir e erradicar tal prática.

As condições vulneráveis, sociais e econômicas, contribuem para que cada vez mais crianças abandonem as escolas para ajudar no orçamento familiar, o que a médio e longo prazo pode custar um alto preço no seu desenvolvimento como cidadão e diminui suas oportunidades.

Essa data nos mostra que devemos estar cada vez mais atentos a um problema que compromete todo o potencial de uma geração, mas também nos possibilita refletir e pensar quais as ações que podem frear o crescimento desse número.

E, no caso do Brasil, como podemos através da educação converter essa situação que ainda aflige 2,7 milhões de crianças e adolescentes, de acordo com os dados da PNAD de 2015. E para as crianças entre cinco e nove anos os números são ainda mais comprometedores, pois entre o período de 2014 a 2015 houve um aumento de 12, 3% passando de 70 mil para 79 mil.

E mesmo com problemas estruturais, de formação, capacitação, entre outros, a escola, professores e comunidade continuam sendo os locais e os agentes mais possíveis para que as realidades possam ser transformadas e que o trabalho infantil possa ser superado em todo o país.

Também a ação de entidades e empresas já se mostrou capaz de atuar no combate ao trabalho infantil promovendo que mais pessoas possam ter acesso à leitura, educação e atividades culturais como ferramentas para ter acesso as melhores oportunidades e combater as desigualdades.

Em 12 anos de existência dos projetos implantados pela Rede Educare foi possível constatar que a partir do incentivo para a criação ou reestruturação de espaços que promovam a leitura, conhecimento e socialização, essas condições que tanto afligem crianças e jovens podem ser transformadas.

E parcerias com a iniciativa privada já possibilitaram que cerca de 50 mil beneficiados em diversos locais do Brasil tenham recursos e melhores perspectivas por meio de propostas que valorizem sua cultura e diversidade.

Economicamente vulneráveis, muitas famílias ainda são afetadas pelo problema do trabalho infantil, porém ainda há muito o que ser realizado e a proximidade do prazo proposto pela Agenda 2030 da ONU para erradicar o problema, nos torna responsáveis por novas medidas e ações que, ao menos, reduzam o quanto possível essa adversidade.