Os novos desafios para a reabertura das atividades culturais

A atividade econômica de vários países desde o início da pandemia está passando por transformações e os mercados estão buscando alternativas viáveis para manterem o mínimo de suas ações em funcionamento. Devido à gravidade alcançada pela Covid-19, as práticas culturais que dependem de ações de interação com o público, como exposições, cinemas, festivais musicais, performances, entre outras, estão indefinidamente canceladas.

E para o segmento que dispões de políticas públicas insuficientes, a paralisação de seu funcionamento revelam sua fragilidade e quais os riscos e prejuízos para uma grande parcela de profissionais que há anos se dedicam ao avanço e aperfeiçoamento de seu trabalho.

Globalmente a estimativa de perdas foi estimada em U$ 5 bilhões, mas esses números podem ser ainda maiores de acordo com as medidas restritivas que cada país poderá adotar para a reabertura e para evitar um novo surto em sua localidade.

Nos três primeiros meses nessa nova dinâmica do isolamento social, o setor cultural utilizou os meios digitais como uma forma de proporcionar diversão e informação. Mas agora passado esse período e com uma abertura seletiva de serviços considerados essenciais, a forma de consumo e o perfil do público também deve passar por transformações que irão impactar no planejamento de suas atividades, até que o momento possa ser seguro e confirmado pelas autoridades mundiais de saúde, como a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Para os profissionais que dependem da realização das atividades culturais, este momento de incerteza sobre a continuidade dos projetos também é preocupante, pois toda a cadeia produtiva de empregos e geração de renda é impactada. Segundo dados de 2018 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoas que trabalham no setor cultural do país é de 5,2 milhões.

Além da perda econômica, o patrimônio cultural e intelectual também será afetado com a falta de reflexão e possibilidades de transformação de realidades que as atividades e projetos culturais nos trazem.

Mesmo diante de adversidades e da indecisão da manutenção e futuro do setor, seus profissionais procuraram dentro de seus recursos financeiros e, principalmente, tecnológicos, manter a promoção de atividades. Museus com acervos digitais, livros online, as lives - apresentações musicais preparadas para o meio virtual, entrevistas e diálogos foram as novas formas que o segmento encontrou de se manter ativo. Entretanto, sob o aspecto da geração de renda e uma manutenção saudável do setor, essas ações ainda devem ser insuficientes.

A iniciativa privada tem sido uma grande colaboradora para que os projetos culturais se tornem realidades, mas assim como o setor, as empresas também precisaram rever seus planejamentos e muitos de seus recursos foram realocados para sua manutenção e prestação de serviços.

Nesse momento é preciso agirmos com responsabilidade para a manutenção da saúde e com estratégias econômicas viáveis que garantam o mínimo de condições para a continuidade do setor e forneça segurança paras seus idealizadores, colaboradores, parceiros e, principalmente para o público.

Podemos usar como exemplo as nações europeias que estão criando estratégias para os locais de convívio público com atividades de entretenimento e atividades culturais com reabertura gradativa, mas com a possibilidade de interrupção ao menor sinal de que a taxa do novo coronavírus possa voltar a crescer.

Países como Reino Unido, Alemanha e Espanha, com forte tradição cultural, estão avaliando criteriosamente a reabertura de seus espaços culturais de acordo com a particularidade de cada região e dependendo da redução no número de infecções.

Cabe a nós, que promovemos e incentivamos a produção e o acesso as atividades culturais, continuarmos esse diálogo para o desenvolvimento do setor em um período incomum em busca de saídas estratégicas e que garantam a sustentabilidade para as atividades culturais.