Iniciativas sociais em busca de soluções em período de crise

Entre os muitos aspectos que a crise de saúde atual está sendo debatida é sobre os desdobramentos que a situação de restrições irá refletir na economia, principalmente das nações historicamente com grandes desigualdades sociais.

O Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU divulgou ontem, dia 13, um relatório que prevê a recuperação gradual do setor produtivo em 2021 devido aos impactos da pandemia do coronavírus que restringiu severamente inúmeras atividades econômicas. E que isso será um dos principais fatores para o aumento da pobreza e desigualdade, e provavelmente cerca de 34,3 milhões de pessoas caiam abaixo da linha de extrema pobreza em 2020 no mundo todo.

Em momentos como esse a iniciativa de entidades assistenciais e grupos organizados que combatem as diferenças econômicas e sociais fazem um trabalho essencial, por exemplo, em comunidades à margem da sociedade, ou seja, pessoas ou famílias que estão em processo de exclusão social.

Um exemplo disso, são as entidades que trabalham junto aos catadores de materiais recicláveis criando condições para que as consequências em meio a essa crise possam ser as mínimas possíveis.

O Pimp My Carroça, por exemplo, atua com ideias criativas com o objetivo de dar visibilidade aos catadores e promover a sua autoestima e sensibilizar a sociedade. O movimento através do site Catarse criou uma campanha para a arrecadação de fundos para a preservação da saúde e de uma renda mínima para que os catadores e suas famílias possam ficar em casa seguros.

E a sociedade vem entendendo como setores mais sensíveis sofrem de modo mais intenso os períodos de crise, e também são os que levam mais tempo para recuperar-se. Até o momento a campanha do Pimp My Carroça já arrecadou mais de R$ 280 mil, apoiadas por mais de 2000 pessoas.

A Gerando Falcoes, organização social que atua dentro de estratégia de rede, em periferias e favelas, também se mobilizou com a campanha Corona no Paredão Fome Não e está atuando como ponte através de uma rede com as ONGs conveniadas, enviando cestas básicas digitais para serem distribuídas as famílias mais vulneráveis.

A ação tem como objetivo diminuir o risco de contágio e conseguir apoio de forma mais rápida levando cartões que possam ser usados como alimentação e refeição para as pessoas montarem as suas cestas de necessidades básicas. Com isso, a organização visa a manutenção do isolamento social para garantir a menor disseminação possível do coronavírus e proporcionar as condições de alimentação e higiene por três meses.

Atualmente no Brasil são mais de 300 mil organizações da sociedade civil atuando em diversas causas, atuando onde as políticas públicas não conseguem chegar. E nesse momento, assim, como todos nós, elas também estão passando pelas consequências desse momento de incertezas.

Apesar do momento delicado, é mais do que necessário fazer de nossas restrições um instrumento para que a saída de nossa crise econômica seja rápida e eficiente, diminuindo as diferenças na pirâmide social.