O papel dos agentes comunitários em tempos de isolamento social

Os agentes comunitários, sejam eles de grandes ou pequenas comunidades do país, exercem dentro de seu universo um papel importante de transformadores de realidade e catalisadores de ações importantes que contribuem no desenvolvimento do espaço onde atuam.

E nesse período instável que estamos passando, as comunidades também enfrentam situações adversas e precisam de respostas rápidas para suprir necessidades, e esses personagens são fundamentais para que essa situação possa ser contornada com o menor impacto possível, dentro da medidas seguras de saúde e de acordo com os recursos que cada uma possuem.

Como integrantes da comunidade, seu contato e influência com os outros moradores, possibilitam que mais pessoas possam ter acesso às informações que nesse momento são vitais para a garantia da saúde e, que em casos mais especiais, possam acionar suas redes de contatos para arrecadar alimentos e itens de primeira necessidade.

O isolamento social e a paralisação de atividades consideradas não essenciais não intimidaram o trabalho realizado por eles, mas pelo fato de que as comunidades mais vulneráveis precisam estar conscientes e preparadas para enfrentar e diminuir a contaminação pelo coronavírus (COVID-19).

Para a educação eles também representam um papel fundamental, principalmente os que são envolvidos com projetos que proporcionam acesso aos meios culturais. Como por exemplo, nas atividades realizadas pela Rede Educare, a contribuição da rede de contato entre professores e parceiros, sempre dentro das limitações que o momento exige, tem se mantido ativa através da troca de ideias e possibilidades para a manutenção do aprendizado e das atividades de leitura.

Obviamente que as atividades foram concebidas para a troca de conhecimento e convívio e hoje precisamos readequar o formato para que os agentes locais possam se manter estimulados, atuantes e, principalmente seguros.

A Associação Meninas e Mulheres do Morro na Comunidade da Mangueira, no Rio de Janeiro, mobilizou-se nesse período com o intuito de arrecadar alimentos, produtos de limpeza e higiene pessoal e priorizou nesse momento seus esforços para beneficiar mulheres, pessoas em situação de rua e transexuais.

A coordenadora do projeto Kely Louzada, em conjunto a uma rede de apoio de voluntários, dinamizou a arrecadação e distribuição desses itens tão importantes. Além do local onde se encontra a associação, outras regiões da cidade com moradores em situação de rua também puderam contar com as doações e com orientações para evitar o contágio da COVID-19.

Mesmo diante de realidades tão fragilizadas a dedicação dos agentes comunitários e de muitos voluntários está cooperando para que centenas de grupos assistidos por ONGS, associações ou entidades no Brasil possam continuar existindo e mantendo seus atendimentos e proporcionando a continuidade de seus projetos.