A experiência da leitura crítica que nos ajuda a (re)construir nossa realidade

Neste momento que estamos passando agora, com determinações de saúde que redefiniu temporariamente nossas rotinas e nosso convívio social, nos vemos comprometidos a repensar e reconstruir nossos hábitos e a nossa realidade de acordo com medidas de segurança individuais e coletivas.

Essa é uma oportunidade atípica e a quantidade de notícias e discussões no momento nos revela a seriedade do problema e o comprometimento que cada um deve ter.

Mas ao mesmo tempo ela nos leva a refletir o modo de como somos condicionados ao hábito de leitura, independente do meio, como consumimos essa grande quantidade de informação, e principalmente, que tipo de mudança causa em cada um.

Devido a urgência do problema do coronavírus (Covid-19), grande parte dos meios de comunicação se reestruturou para divulgar o maior número de informações em tempo real, especialistas buscam minimizar as dúvidas da população e acompanhamos as ações de outros países. Mal conseguimos assimilar uma informação, e já temos acesso a dezenas de outras.

E por causa da urgência, nem sempre temos a certeza da veracidade das informações. Em um estudo da Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial) as mídias sociais que hoje são grandes veiculadoras de textos, entrevistas e vídeos foram citadas por 60% dos comunicadores entrevistados como as principais fontes das notícias falsas e em 28% das publicações, foram os meios de comunicação de massa que divulgaram as notícias falsas.

O relatório especial produzido pela Aberje para a LCM – Latin American Communication Monitor 2018-2019, apurou que cerca de 76% desses comunicadores acreditam que a esfera pública é influenciada por notícias falsas.

Agora é de grande importância que possamos separar um momento do nosso dia para uma leitura mais apurada sobre essa circunstância exercitando uma reflexão mais crítica sobre qual é o nosso papel nesse momento.

Uma questão que levantamos nessa infinidade de informações como podemos ter uma leitura crítica, consubstanciada em tempos de fake news. Neste período em que a pandemia se tornou assunto primordial vemos também uma infinidade de notícias falsas: empresas que distribuem gratuitamente álcool gel, comunicados atribuídos a hospitais e etc.

Há quem diga que a comunicação das ações preventivas para o Covid-19 está direcionada as classes média e alta. Precisamos democratizar as informações e as condições para colocarmos em prática ações preventivas. Precisamos compartilhar e nos tornarmos fontes confiáveis de informação e apoio aos grupos vulneráveis e nas comunidades.

A leitura agora, ativa sua função social mais importante que é de informar. Muitas fontes e veículos tem esse compromisso com a informação verídica, que pode contribuir e colocar o sujeito a par. Outros veículos trazem vieses políticos, exibem, por qualquer outro motivo informações inverídicas, desatualizadas e não checadas.

É tempo de sermos leitores críticos de nossas realidades sociais e de colaborarmos ainda mais nesse processo de democratização da leitura, é tempo de compartilharmos as leituras que mais possam auxiliar do que causar medo e confusão.

Uma leitura crítica com um olhar mais atento irá nos permitir, por exemplo, examinarmos em uma situação de crise como essa, a refletir como nosso espaço, de trabalho ou em casa, é ocupado, como podemos aprimorar o relacionamento com o outro, e nos impulsionar a pensarmos no coletivo, e a partir desse momento, qual transformação irá ser permanente em nossa realidade.

Se agora temos necessidade do isolamento social esse pode ser um momento oportuno para criarmos possibilidades de conhecimento e compreensão do universo que nos cerca, e das novas necessidades que teremos a partir disso.